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domingo, 3 de junho de 2018

O TEMPO E A VIDA - Por Nicéas Romeo Zanchett




O TEMPO E A VIDA
Por Nicéas Romeo Zanchett 
Escultura de Romeo Zanchett

Pelas paredes do tempo
saudoso pendurei meus sonhos. 
E na minha idade tão vivida
senti novos sonhos brotarem,
 novas esperanças, e novo amor. 
Sem esquecer o passado
construí minha saudade e
vi sonhos de ontem fugirem .
Um aroma espiritual min'alma invade. 
No salgueiro do seu jardim
vi novos sonhos brotarem. 
O sabiá apaixonado
modula cantos de amor. 
E as rosas do jardim florido
enfeitam meu caminho infantil 
com olhos turvos de ternura e deleite. 
Lábios rubros, 
Lábios sensuais,
lábios sedutores.
Sinto a embriaguez da paixão 
e min'alma excita meu corpo. 
O prazer de viver volta e me invade
em leito de glória e gozo. 
Nessa vida que tão breve passa
voa o tempo para os amantes. 
Pitangueiras e chorões me dão saudade
do mundo de outrora esquecido. 
Na abençoada manhã de prazer,
o gosto de furtivo beijo, beijo de amantes. 
De corpo e alma mergulho no prazer,
Prazer de amantes.
Nesta cama improvisada e passageira,
cama de amantes,
min'alma bem aventurada
descansa livre e serena. 
 Nas frescas manhãs de primavera
quando o orvalho cobre as folhas
quero-a dormindo entre meus braços
até o sol acordar e brilhar sobre a relva 
que derrete em verdes plantas. 
A lua chora feliz quando beijo seus olhos, 
num mundo real repleto de gozos. 
No céu azul desmaiam as estrelas; 
a névoa desdobra o manto da noite.
Entre sombras e luzes que se fundem
despertam avezinhas gentis.
E o relinchar dos felizes corcéis
que correm pelos campos verdejantes
com o brilho do esplendor luzidio.
Os anjos ainda velam seu sono
e seu corpo alvo e sedoso
que enlouquece meu desejo
de tocar, acariciar, beijar, sentir e amar. 

Nicéas Romeo Zanchett 

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

BOA NOITE - Por Castro Alves

Escultura de Romeo Zanchett 
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BOA NOITE 
Boa -noite, Maria! Eu vou-me embora 
A lua nas janelas bate em cheio. 
Boa-noite, Maria! É tarde... é tarde...
Não me apertes assim conta seu seio. 
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Boa-noite!... E tu dizes - Boa noite, 
Mas não digas assim entre beijos...
Mas não digas descobrindo o peito, 
- Mar de amor onde vagam meus desejos. 
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Julieta do céu! Ouve... a calhandra? 
Já rumoreja o canto da matina. 
Tu dizes que eu menti?... pois foi mentira...
... Quem cantou foi teu hálito, divina! 
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Se a estrela d'alva os derradeiros raios
Derrama Nos jardins do Capuleto,
Eu direi, me esquecendo d'alvorada: 
"É noite ainda no teu cabelo preto..."
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É noite ainda! Brilha na cambraia
- Desmanchado o roupão, a espádua nua -
O globo do teu peito entre os arminhos
Como entre as névoas se balouça a lua...
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É noite, pois! Durmamos, Julieta!
Recende a alcova ao trescalar das flores, 
Fechemos sobre nós estas cortinas...
- São as asas do arcanjo dos amores. 
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A frouxa luz da alabastrina lâmpada 
Lambe voluptuosa os teus contorno...
Oh! Deixa-me aquecer teus pés divinos
Ao doudo afago de meus lábios mornos. 
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Mulher do meu amor! Quando aos meus beijos
Treme tua alma, como a lira ao vento, 
Das teclas de teu seio que harmonias, 
Que escalas de suspiros, bebo atento! 
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Ai! Canta a cavatina do delírio, 
Ri, suspira, anseia e chora...
Marion! Marion!... É noite ainda. 
Que importa os raios de uma nova aurora?!...
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Como um negro e sombrio firmamento, 
Sobre mim desenrola teu cabelo...
E deixa-me dormir balbuciando: 
- Boa-noite! -, formosa Consuelo!...
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NOTAS EXPLICATIVAS. 
 Esta obra prima de Castro Alves foi escrita em São Paulo no dia 27 de agosto de 1868. Inspirada na obra de Shakespeare - Romeo e Julieta - Demonstra perfeitamente a ideia do amor sensual do poeta.
"Veux-tu donc parti? Le jour est encore éloigné: 
C'était le rossignol et non pas l'alouette, 
Dont te chant a frappé ton oreille inquiète;
Il chante la nuit sur les branches de ce grenadier,
Crois-moi, cher ami, c'était le rousignol. > Shapespeare "
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A palavra "calhandra" é o nome dado a uma espécie de cotovia, também chamada de sabiá-do-campo.
Capuleto é o cenário da peça teatral de Shakespeare: Romeo e Julieta. 
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Nicéas Romeo Zanchett 





domingo, 7 de agosto de 2016

AS ANDORINHAS - Por Augusto Gil




Boca talhada em milagrosas linhas
A luz aumenta com seu falar.
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Esta manhã um bando de andorinhas
Ia-se embora, atravessava o ar.
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Chegou-lhes às alturas, pela aragem, 
Um adeus claro que ele lhes dissera,
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- E suspenderam todas a viagem
Julgando que voltara a primavera. 
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quarta-feira, 6 de julho de 2016

SONETOS DA AUSÊNCIA - Alfhonsus de Guimaraens Filho

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Soneto - 1 
Não te desejo mais pela amargura
Nem pelas alegrias inconstantes:
Quero beijar nas tuas mãos distantes
O amor que me alivia e transfigura. 
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Quero, sonhando a adolescência pura 
no teu corpo febril, das mãos amantes, 
colher nos ventos tudo quanto dantes
ambicionara em sedes de loucura. 
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Quero o teu riso, o teu silêncio, a graça
do teu vestido ao vento, o andar sereno
de ave marinha pelas madrugadas. 
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Quero colher em ti o que não passa 
e pulsa em mim como o teu leve aceno
na distância impossível das estradas. 
.
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Soneto - 2 
O doce amor. As doces mãos da amada.
Seu corpo branco como a luz macia
e a matinal pureza. E a graça e a fria
carícia irmã da leve madrugada...
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A rua humilde. A paz desta pousada.
A trepadeira, o alpendre... E, todo dia, 
os risos das crianças, a alegria
descendo, clara, sobre a minha estrada, 
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Depois, a noite os sonhos dominando, 
vozes veladas... Confissões e medo...
Gestos de quem parou na despedida
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e há de ficar, por seu pesar, chorando, 
vivendo o adeus que é como o seu segredo, 
o adeus que encerra em si a própria vida. 
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BREVE BIOGRAFIA
Alfhonsus de Guimaraens Filho, nasceu em Mariana, estado de Minas Gerais em 1918.
Nota: o sobrenome Guimaraens não está errado, é assim mesmo. 
Nicéas Romeo Zanchett 


terça-feira, 17 de novembro de 2015

DELÍRIO - Por Olavo Bilac.


DELÍRIO 
POESIA ERÓTICA DE OLAVO BILAC

Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia: 
Mais abaixo, meu bem, quero o seu beijo!
Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia, 
E os seus seios tão rígidos, mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.
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Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
Mais abaixo, meu bem!? num frenesi. 
No seu ventre pousei a minha boca, 
Mais abaixo, meu bem!? disse ela, louca, 
Moralistas, perdoai! Obedeci...
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Nicéas Romeo Zanchett 

LEIA TUDO SOBRE O AMOR EM > AMOR E SEXO SEM PRECONCEITOS



segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

CANÇÕES DE UM VIANDANTE - Por Uhland


O ADEUS
Adeus amor, adeus, querida! 
Hoje é força me ausentar, 
Dá-me um beijo, só um beijo!
Pra sempre te vou deixar!
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Uma flor, uma florzinha
Vai colher-me em teu jardim!...
Pelo fruto, ai! não espero, 
Nunca há de ser para mim! 
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EVITAR E SEPARAR
E devo então evitar-te, 
Delícias de minha vida!
Tu beijas-me assimagera
E eu abraço-te, ó querida. 
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Evitar acaso é isto, 
Quando ardentes nos beijamos? 
Separar é isso acaso, 
Quando assim nos abraçamos? 
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AO LONGE
Vou descansar à sombras destas árvores, 
Dos pássaros me apraz doce trinar...
Que comoção eu sinto ao vosso canto!
De nosso amor, ó pássaros, tão santo, 
Tão longe o que sabeis neste lugar? 
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Vou descansar à margem deste arroio, 
Onde exalam as flores grato odor. 
Ó flores, quem vos trouxe ao descampado? 
Sois acaso um penhor idolatrado
Que venho achar aqui de meu amor? 
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CANÇÃO MATINAL
Ainda a luz do sol se não presente, 
No escuro vale ainda alegremente
O sino matinal não se ouve ecoar. 
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Na selva extensa nenhum sons vagueiam!
Só em sonhos os pássaros chilreiam,
Nenhum canto o silêncio vem quebrar. 
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No entanto aqui, há muito, na campina
Já esta cançoneta matutina
Compus e modulei, soltei-a ao ar. 
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A PARTIDA
Abandonei emfim essa cidade
Em que eu ha longo tempo residia, 
Veloz atravessei as ruas
E fi-lo sem parar, sem companhia
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Ninguém me deu puxões pelo casaco, 
Com o que muito mal do meu vestido!
Tão pouco por extremos de saudade
Ninguém as minhas faces há mordido. 
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A ninguém fez despertar do brando sono
O ter eu de partir de madrugada; 
Não quero mal por isso aos outros todos
Ela só me afligiu - a minha amada!
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A POUSADA
Recolheu-me, não ha muito, 
Uma hospedeira excelente; 
A divisa - um pomo de ouro
De um alto ramo pendente. 
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Era bela macieira
Quem me deu acolhimento, 
E no suco de seus frutos
Tive um ótimo alimento.
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Leves hóspedes alados
À sua pousada chegaram,
E ali em pleno banquete
A exultar se regalaram. 
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Achei cama primorosa
Na macia e verde alfombra,
Minha coberta - a hospedeira
Com a sua fresca sombra.
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Pedi-lhe a conta... Ela a copa
Agitou com doce mimo. 
Bendita sejas pra sempre
Da raiz até ao cimo! 
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O REGRESSO
Não te quebres, pinguelo...estremeces!
Não desabes, ó rocha, em pedaços! 
Terra e céu, não roleis ao abismo
Sem que eu chegue  a cingi-la em meus braços!
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BREVE BIOGRAFIA 
            Luis Uhland foi um poeta lírico alemão; nasceu em Tubingen a 26 de Abril de 1787 e morreu na mesma cidade a 13 de Novembro de 1862. Tomou uma parte muito ativa na vida política da Suabia e no movimento nacional que agitou a Alemanha em 1848. Poeta seco, mas perfeito, as suas canções e baladas figuram entre as mais famosas da literatura alemã, tendo algumas das suas poesias líricas chegado a ser cansões populares do povo germânico e merecendo o nome que lhe deram de "clássico dos românticos". Publicou: Gedichte und Dramem (Poesias e Dramas), 1876; Schriftem zur Geschicht der Dichtung und Sage (Escritos sobre a história da poesia e da lenda), 1865 - 1873, etc. 
Nicéas Romeo Zanchett 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

SONETOS - Por Moniz Barreto


SONETOS 
"Ver... e do que se vê logo abrasado
Sentir o coração de um fogo ardente, 
De prazer um suspiro de repente
Exalar, e apos ele um ai magoado.
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Aqui que não foi ainda logrado,
Nem será talvez, lograr na mente; 
Do rosto a cor mudar continuamente, 
Ser feliz e ser logo desgraçado; 
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Desejar tanto mais quão mais se prive
Calmar o ardor que pelas veias corre, 
Já querer, já buscar que ele se ative;
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O que isto é, a todos nós ocorre: 
- Isto é amor, e deste amor se vive;
- Isto é amor, e deste amor se morre."
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"Morre no prado a flor; a ave nos ares 
Ao tiro morre de arcabuz certeiro;
Morre o dia o esplêndido luzeiro; 
Morrem as vagar nos quietos mares;
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Morrem os gosto; morrem os pesares; 
Morre oculto na terra o vil dinheiro; 
De encontro ao peito, que as apara inteiro, 
Morrem as setas dos cruéis azares; 
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Morre a luz; morre o amor; morre a beldade; 
Na virgem morre a cândida inocência;
Morre a pompa, o poder; morre a amizade.
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É de morte sinônimo a existência; 
No mundo é só perene a são verdade; 
"Só não morre a virtude, a inteligência."
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É o seu rosto gentil, sua figura, 
Da criação archetipo mimoso;
Quanto vemos de belo e majestoso
Resume-se na sua formosura.
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Estrela que em céu límpido fulgura, 
Rosa aberta em vergel delicioso, 
Não tem o encanto do seu talhe airoso, 
De seus olhos a luz serena e pura.
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Nela, conta a artística afouteza,
Contra o pincel dos homens em sarcasmo
Quis ao mundo atirar a natureza.
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E o mundo inteiro estremeceu de pasmo, 
Quando rara saiu sua beleza
Das mãos de Deus no ardor do entusiasmo.
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Foi ela quem num cândido sorriso
A lira me afinou, que hoje é só pranto; 
Foi ela que dos olhos ao quebranto
Iluminou-me na alma um paraíso!
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Foi ela que exaltou-me de improviso
De amor ao céu, nos voos do seu canto; 
Foi ela!... e agora à fímbria do alvo manto
Fugir não sei, sabendo que é preciso!
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Foi ela!... zelo atroz cavou-me fundo
O peito, e já não vejo como alcance-a 
Para beijar-lhe o resplendor jocundo!
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Foi ela... Deus, me tira desta ânsia!
Prende as asas da sílfide que ao mundo
Irmã da luz, baixou da eterna estância!
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BREVE BIOGRAFIA
             Francisco Moniz Barreto foi um poeta brasileiro que nasceu na vila de Jaguaribe, Bahia, a 10 de Março de 1804 e faleceu a 2 de Junho d 1868. Considerado um poeta muito fecundo e repentista; foi cognominado de o Bocage brasileiro, escreveu inúmeras poesias, elegias, epístolas e sátiras. 
Nicéas Romeo Zanchett  
             


terça-feira, 30 de dezembro de 2014

ME, ME, ADSUM - Por Josefino Soulary - Poeta Francês

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Ei-los perante o magistrado, 
Que lhes diz: "Casados estais
Em nome da Lei; quanto ao mais, 
Lá vos fica ao vosso cuidado."
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Diz depois no templo sagrado
O padre: "Abençoados sejais
Em nome da Fé; ora entrais  
No grande mistério ignorado."
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Mas eis que no limiar divino
Surge um formoso deus menino
E assim ao par exclama: "Eu sei,
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Loucos, que não contais comigo!
Pois sou o Amor, e vos desligo, 
Eu não conheço a Fé, nem Lei."
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BREVE BIOGRAFIA 
         José Maria Soulary, conhecido por Josefino Soulary, foi um poeta francês nascido em Lião a 23 de Fevereiro de 1815; morreu na mesma cidade em 28 de março de 1891. Tornou-se notável sobretudo pela beleza dos seus sonetos. A sua obra é grandiosa e está publicada em três volumes (1872 - 1883). 
Nicéas Romeo Zanchett

sábado, 22 de novembro de 2014

NASCIDA FOSTE... - Wilson Woodrow Rodrigues

Desenho de Romeo Zanchett 
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Nascida foste sobre um mar de bruma
e ao mar roubaste as curvas peregrinas. 
E guardas em teu corpo a cor da espuma
e em teu olhar desejos de neblinas. 
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Danças em torno de mim. São névoas finas
os gestos sensuais. E dança alguma
sugere tanto o misto de onda e pluma, 
de mar e céu, de dúbias bailarinas. 
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És para mim paisagem de delícias, 
diversa e vaga, lúbrica e ondulante, 
perdida numa tarde tão nevoenta, 
.
que eu mesmo temo que sutis carícias
me poderão fugir num breve instante,
quando de instante a instante o amor aumenta. 
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BREVE BIOGRAFIA 
              Wilson Woodrow Rodrigue, nasceu em Salvador, estado da Bahia, em 1916. 
Nicéas Romeo Zanchett 

SONETO DA AUSENTE - Cassiano Ricardo

Desenho de Romeo Zanchett
É impossível que, na furtiva claridade, 
que te visita sem estrela nem lua, 
não percebas o reflexo da lâmpada
com que te procuro pelas ruas da noite. 
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É impossível que, quando choras, não vejas 
que uma das tuas lágrimas é minha. 
É impossível que, com o teu corpo de água jovem, 
não adivinhes toda a minha sede. 
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É impossível não sintas que a rosa
desfolhada a teus pés, ainda há um minuto, 
foi jogada por mim com a mão do vento. 
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É impossível não saibas que o pássaro,
 caído em te quarto por um vão da janela, 
era um recado do meu pensamento. 
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BREVE BIOGRAFIA 
            Cassiano Ricardo, nasceu em São José dos Campos - SP. em 1895. 
Nicéas Romeo Zanchett 

IDÍLIO - Carlos Augusto Ferreira

Desenho de Romeo Zanchett

Vamos, amor, por esses campos fora, 
asas abrindo à doce luz da vida, 
ouvir a terna, a meiga, a apetecida
canção que entoa a terra à deusa Aurora. 
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Vamos, que é tempo. A natureza inflora
montes, vales, vergéis, e embevecida
treme de amor a rosa. Ouves, querida, 
a ave que canta? a viração que chora? 
.
Vês? Que alegre manhã! Todo o arvoredo 
tão fresco e bom! O alegre passaredo
enche a selva de mágico rumor... 
.
Pois cantemos também, vamos risonhos
haurir a vida em turbilhões de sonhos, 
asas abrindo ao quente sol do amor!...
.
BREVE BIOGRAFIA 
             Carlos Augusto Ferreira, nasceu em Porto Alegre, estado do Rio Grande do Sul. (1847). 
Nicéas Romeo Zanchett

SETE POEMAS PORTUGUESES - Ferreira Gular

Pintura Romeo Zanchett 
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Prometi-me possuí-la muito embora
ela me redimisse ou me cegasse. 
Busquei-a nas catástrofes, na aurora, 
e na fonte e no muro onde sua face
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entre a alucinação e a paz sonora
da água e do musgo, solitário nasce. 
Mas sempre que me acerco vai-se embora
como se me temesse ou me odiasse. 
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Assim persigo-a lúcido e demente. 
Se por detrás da tarde transparente
seus pés vislumbro, logo nos desvãos 
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das nuvens fogem, luminosos e ágeis.
Vocabulário e corpo - deuses frágeis -
eu colho a ausência que me queima as mãos. 
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BREVE BIOGRAFIA 
             O  poeta Ferreira Gular nasceu em São Luiz, estado do Maranhão. (1924). Vive no Rio de Janeiro - RJ. 
Nicéas Romeo Zanchett 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

AMOR, FELICIDADE... - Guilherme de Almeida

Pintura : Romeo Zanchett 
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AMOR, FELICIDADE...
Infeliz de quem passa pelo mundo,
procurando no amor felicidade; 
a mais linda ilusão dura um segundo,
e dura a vida inteira uma saudade. 
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Taça repleta, o amor, no mais profundo
íntimo, esconde as jóias da verdade: 
só depois de vazia mostra o fundo, 
só depois de embriagar a mocidade...
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Ah! quanto namorado descontente, 
escutando a palavra confidente
que o coração murmura e a voz não diz, 
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percebe que, afinal, por seu pecado, 
tanto lhe falta para ser amado, 
quanto lhe basta para ser feliz!
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BREVE BIOGRAFIA 
            Guilherme de Andrade Almeida, nasceu em Campinas, estado de São Paulo. Foi considerado o príncipe dos poetas brasileiros. (1890) 

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

SONETO DA DEVOÇÃO - Vinicius de Moraes

Pintura a óleo - Romeo Zanchett 
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SONETO DA DEVOÇÃO
Essa mulher que se arremessa, fria
e lúbrica aos meus braços, e nos seios
me arrebata e me beija e balbucia
versos, votos de amor e nomes feios, 
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essa mulher, flor de melancolia
que se ri dos meus pálidos receios, 
a única entre todas a quem dei 
os carinhos que nunca a outra daria, 
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essa mulher que a cada amor proclama 
a miséria e a grandeza de quem ama
e guarda as marcas dos meus dentes nela, 
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essa mulher é um mundo! - Uma cadela
talvez... - Mas na moldura de uma cama
nunca mulher nenhuma foi tão bela! 
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BREVE BIOGRAFIA 
           Vinícius de Moraes nasceu no Rio de Janeiro - RJ em 1913. 
Nicéas Romeo Zanchett 

A BEM-AMADA - Mário Cruz

Escultura - Romeo Zanchett 
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A BEM-AMADA 
- Ó liturgias negras e vermelhas 
no holocausto da flor-tabu do Sexo, 
sobre um corpo que cheira mel de abelhas, 
e que cingimos num profundo amplexo! 
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Das nacaradas conchas das orelhas
vir com a boca até parar, perplexo, 
à beira do seu ventre, algo convexo, 
que encerra nebulosa e centelhas... 
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E quando a Bem-Amada, doce e langue, 
na tortura do espasmo, quase exangue, 
toda se contorcer numa ânsia louca, 
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quero sentir-lhe as lágrimas correr
pelo meu rosto abaixo, e adormecer
o hálito a respirar de sua boca...
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BREVE BIOGRAFIA 
Mário Cruz, nasceu em Belém, estado do Par´. (1917).
Nicéas Romeo Zanchett 


CONFISSÃO - Manuel Bandeira

Pintura sobre papel - Romeo Zanchett 

CONFISSÃO 
Se não a vejo e o espírito a afigura, 
cresce este meu desejo de hora em hora...
Cuido dizer-lhe o amor que me tortura, 
o amor que exalta e a pede e a chama e a implora.
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Cuido contar-lhe o mal, pedir-lhe a cura...
Abrir-lhe o incerto coração que chora, 
Mostrar-lhe o fundo intacto de ternura, 
agora embravecida e mansa agora...
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E é num arrombo em que a alma desfalece
de sonhá-la prendada e casta e clara,
que eu, em minha miséria, absorto a aguardo...
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Mas ela chega, e toda me parece
tão acima de mim... tão linda e rara...
Que hesito, balbucio e me acovardo. 
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BREVE BIOGRAFIA 
             Manuel Carneiro de Souza Bandeira, nasceu em Recife, estado de Pernambuco. (1886)
Nicéas Romeo Zanchett 

domingo, 16 de novembro de 2014

SONETO DA AURORA - Ledo Ivo

Desenho de Romeo Zanchett 
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SONETO DA AURORA 
Quando a aurora se for, não mais seremos
o que ora somos, entre a Noite e o Dia,
cegos contempladores da magia
que no aquário da noite surpreendemos; 
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Somos flamas do instante, e em luz ardemos
presos eternamente ao que seria 
o amor em nossos corpos, alegria
do perpétuo horizonte em que nascemos.
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Das corolas do céu extraio ardente
forma de redenção cativa à hora
 em que ao puro lilá fui entregar-me. 
. Que somos nós senão a eternidade? 
o amor transfigurou-se como a aurora
e se extinguiu após enfeitiçar-me. 
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BREVE BIOGRAFIA 
            Ldo Ivo, nasceu em Maceió, estado de Alagoas, (1924). 
Nicéas Romeo Zanchett
 

GREGA - José Jambo da Costa

Desenho de Romeo Zanchett 
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GREGA 
Arde em teu corpo o sol dos meus ciumes!
Sofro, soluço, arquejo, estendo os braços, 
ante teus seios líricos em cumes
e a elegância macia dos teus passos. 
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Cheiras a terra e a bárbaros perfumes
que envolvem nossos corpos como laços, 
a tua boca tem calor de lumes
nas convulsões febris de teus abraços!
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Fervem marés de sangue em teus carinhos
e em tuas linhas curvas e morenas
dança a embriaguez fatal de rubros vinhos. 
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Que eu morra como um sol sobre teu flanco, 
vendo a beleza nua das helenas
esplendor no teu corpo esguio e branco.
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BREVE BIOGRAFIA 
              José Jambo da Costa nasceu em Conservatória, Valença, estado do Rio de Janeiro. (1929). 
Nicéas Romeo Zanchett 



ÚLTIMA PÁGINA - Olavo Bilac

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ÚLTIMA PÁGINA 
Primavera. Um sorriso aberto em tudo. Os ramos numa palpitação de flores.
Dourava o sol de outubro a areia dos caminhos 
(lembras-te, Rosa?) e ao sol de outubro nos amamos. 
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Verão. (Lembras-te, Dulce?) à beira-mar, sozinhos, 
tentou-nos o pecado: olhaste-me... e pecamos; 
e o outono desflorava os reseirais visinhos, 
ó Laura, a vez primeira em que nos abraçamos... 
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Veio o inverno. Porém, sentada em meus joelhos, 
nua, presos aos meus os teus lábios vermelhos, 
(lembras-te, Branca? ardia a tua carne em flor...
.
Carne, que queres mais? Coração, que mais queres?
Passam as estações e passam as mulheres...
E eu tenho amado tanto! e não conheço o Amor!
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Nicéas Romeo Zanchett  

DESEJO - Maria Thereza de Andrade Cunha

Desenho de Romeo Zanchett 
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DESEJO 
Na grande exaltação que me tortura,
 porque desejo tanto e inutilmente, 
o teu amor apenas me consente
a carícia das mãos, suave, pura...
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Nunca um beijo de amor. Nunca doçura
de um longo beijo, rubro, e insano, e ardente. 
Nunca teu braço, apaixonadamente, 
ao redor de meus ombros, da cintura...
.
Apenas tuas mãos postas nas minhas. 
- Por que não vês, porque não adivinhas
tudo que, em vão, meus lábios já sonharam?...
.
... Ah! quando a sós estou, Deus! como louca, 
Num beijo insatisfeito esmago a boca
nas minhas mãos, que as tuas afagaram!...
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Nicéas Romeo Zanchett