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quarta-feira, 6 de julho de 2016

SONETOS DA AUSÊNCIA - Alfhonsus de Guimaraens Filho

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Soneto - 1 
Não te desejo mais pela amargura
Nem pelas alegrias inconstantes:
Quero beijar nas tuas mãos distantes
O amor que me alivia e transfigura. 
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Quero, sonhando a adolescência pura 
no teu corpo febril, das mãos amantes, 
colher nos ventos tudo quanto dantes
ambicionara em sedes de loucura. 
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Quero o teu riso, o teu silêncio, a graça
do teu vestido ao vento, o andar sereno
de ave marinha pelas madrugadas. 
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Quero colher em ti o que não passa 
e pulsa em mim como o teu leve aceno
na distância impossível das estradas. 
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Soneto - 2 
O doce amor. As doces mãos da amada.
Seu corpo branco como a luz macia
e a matinal pureza. E a graça e a fria
carícia irmã da leve madrugada...
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A rua humilde. A paz desta pousada.
A trepadeira, o alpendre... E, todo dia, 
os risos das crianças, a alegria
descendo, clara, sobre a minha estrada, 
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Depois, a noite os sonhos dominando, 
vozes veladas... Confissões e medo...
Gestos de quem parou na despedida
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e há de ficar, por seu pesar, chorando, 
vivendo o adeus que é como o seu segredo, 
o adeus que encerra em si a própria vida. 
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BREVE BIOGRAFIA
Alfhonsus de Guimaraens Filho, nasceu em Mariana, estado de Minas Gerais em 1918.
Nota: o sobrenome Guimaraens não está errado, é assim mesmo. 
Nicéas Romeo Zanchett 


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